Thursday, July 28, 2005

Royale com Queijo - Blockbuster Report

Batman Bengala

Estou magoado, Chritopher Nolan. Filmas o melhor thriller desde "Seven" e convertes-te agora ao peso do ouro de um franchising que tinha morrido no momento em que Schwarzie deixou cair a sua primeira lágrima de gelo.
"Batman Begins" não é sequer digno de ser o primeiro capítulo de uma saga referente a Batman. Assistir ao Batman da década de 60 é certamente mais divertido. Este primeiro capítulo de um nova saga encontra Scarecrow a libertar gases alucinogénicos por Gotham. Os pobres habitantes ficam com medo de tudo o que vêm à frente e nós com medo de esta saga se estender a mais 2 ou 3 "no-brainers" e de um mais que provável "reprise" de Michael Caine no lugar de mordomo Alfred. Se ele se atrever a dizer "Goodnight, you princes of Gotham. You kings of New England. " juro que peço o meu dinheiro de volta.


A vida é bela da independência

Exactamente. "Guerra dos Mundos" pareceu-me um cruzamento entre "A vida é bela" - comédia familiar assente sobre o Holocausto - e "Dia da Independência" - um holocausto patriótico de comédia. Para já, parece-me o pior Spielberg desde "Império do Sol" (ainda não vi "Apanha-me se puderes" e "Amistad" era pelo menos uma excelente aula de história). Sim, pior que o Kapra-Spielberg do ameno "Terminal". "Guerra dos mundos" comete o pecado que surgia diluído entre os efeitos visuais de "Jurassic Park" (um marco para a altura, hoje parece nitidamente datado): é inadmissivelmente "camp" de acordo com a bitola do judeu mais poderoso da indústria de Hollywood.
E isto porque "camp" nem sempre se refere apenas a cenários de cartolina e guarda-roupa comprado nos saldos. Em "Guerra dos Mundos" o "camp" fareja-se às sequências empilhadas em que os protagonistas fogem à ameaça alienigena (a pé, de carro, a nadar), à 15º vez que o plano os encontra de baixo para cima a pasmarem perantes as dimensões dos tripods, a toda uma série de clichés encabeçadas pelo personagem ermita de um Tim Robbins em modo ganha-pão. Pior só mesmo a lamechice de uma versão "a cappella" de "Little deuce coup" cantada por um Tom Cruise em lágrimas cultivadas com a direcção de Paul Thomas Anderson.
"Guerra dos Mundos" faz pasmar e entretém, mas por dentro apodrece aos poucos. Repare-se na sequência do "toca-e-foge" entre aliens e trio sobrevivente na cave. Já ninguém papa isso. Dêem-me os aranhiços de "Relatório Minoritário"!
Os yankees voltam a ganhar à lei da bala, mas o inimigo ainda resiste. Há uma altura em que com três granadas - arremesadas no goto do tripod - Tom Cruise racha um máquina ao meio. Teria sido mais fácil dar-lhe de comer os Guns n' Roses e esperar que o bicho morresse entoxicado.