Thursday, June 09, 2005

O exterminador improvável

O exterminador permeável

“Naked Lunch” (este calor impede-me de verificar os nomes, por isso recomenda-se visita ao imdb) é um daqueles fracassos “o que poderia ter sido, mas não foi”. Procura Cronenberg com uma realização altamente personalizada (aqueles bonecos medonhos não poderiam pertencer a mais alguém) e através da fusão de universos reproduzir o impacto vanguardista da obra de Burroughs a partir da qual o filme é adaptado.

Fracassa, provavelmente porque teve de obedecer a um código de grande estúdio. “Naked Lunch” não se arrisca a ser assumidamente arty (caso o fosse, teríamos aquele que bem poderia ser o melhor Cronenberg), e o melhor que consegue é submeter a essência esquelética da obra de 1959 aos maneirismos e tiques da saga “Guerra das Estrelas” (quando o estúdio que pegou em “Naked” até é a 20th century fox). O filme acaba por ter direito a vilão (revelado numa cena risível) e um ritmo de aventura que nada tem a ver com o livro de culto.

Fica a ideia de que esta foi uma oportunidade perdida. Nem sequer sei se “Naked Lunch” arrecadou dinheiro suficiente para pagar as suas despesas, mas estou certo de que o público comum não terá cedido facilmente às reviravoltas e malabarismos tóxicos à Cronenberg. Lá estão os bonecos a servir de imagem de marca ao realizador. Os bonecos e um amontoado de sequências sofríveis suspensas por um fio condutor da espessura de uma teia de aranha. Sendo assim, prefiro “Spider” (o melhor dos últimos filmes do realizador canadiano) e aprovo tangencialmente “Naked Lunch” apenas porque as interpretações são irrepreensíveis.

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