Tuesday, June 07, 2005

Nem a revolução acontece nem a burguesia janta

“O charme discreto da burguesia” (creio ser este o título em português) é um tratado no que toca a conseguir levar a extremos a elasticidade de uma arte tão delicada quanto a sátira. Buñuel sabe como fazê-lo impiedosamente e com a classe de que os protagonistas padecem.

Ainda que procure ser tomado por trivial, o enquadramento visado pelo filme evidencia uma burguesia fragilizada por feridas expostas, podres e uma imensa susceptibilidade além da carapaça social.

Buñuel faz suspender um jantar – que nunca chega acontecer – entre pesadelos (as melhores sequências do filme) e prazeres ocultos, de forma a ridicularizar toda a formalidade e falta de objectividade por parte de uma burguesia perdida no vazio da estrada a que ninguém parece conhecer um fim.

Depende muito este “Charme” de mais alguns visionamentos e de uma contextualização mais apurada. Um comentário aprofundado fica para outra altura. Por agora, o Royale com Queijo recomenda.

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